Capítulo 4 – Parte 1 – BEBEDICE
Estudo da Sociedade Feminina da Igreja Batista Regular Renascer – Manaus, AM
Capítulo 4 – Parte 2 – GLUTONARIA
Estudo da Sociedade Feminina da Igreja Batista Regular Renascer – Manaus, AM

Capítulo 4

OS PECADOS FÍSICOS CONTRA A SAÚDE…

TEXTO BÍBLICO

Gl 5:19-21  “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: … bebedice, glutonaria …” 

ALVO

Demonstrar que o pecado nos cerca por todos os lados: nosso próprio coração, as artimanhas de Satanás e as sutilezas do mundo. E estabelecer alvos para vencer os inimigos através da amorosa obediência e submissão a Deus.

ESBOÇO

Introdução

  1. Pecados físicos contra a saúde
  2. Bebedice
  3. Glutonaria
  4. Lutando contra a própria vontade

Conclusão

INTRODUÇÃO

Dentre as “Obras da Carne” os pecados chamados Pecados Físicos, dois são relacionados à pessoa individualmente e dizem respeito a saúde: Bebedices e glutonarias. Ambos são usados no sentido de orgia: banquete com o propósito de se embriagar e comer.

PECADOS FÍSICOS CONTRA A SAÚDE

1.   Bebedice

A palavra original – meqh/methe – significa intoxicação alcoólica ou embriaguez, conhecida também por intoxicação por álcool ou envenenamento por álcool. A intoxicação alcoólica tem geralmente início após a ingestão de duas ou mais bebidas alcoólicas. [1] Os primeiros sintomas de intoxicação alcoólica incluem batimento cardíaco rápido, uma sensação de bem-estar e confiança, vermelhidão da pele e um caminhar instável. Os sintomas de intoxicação mais grave costumam ser desinibição, náuseas, vômitos, atenção reduzida, fala arrastada, perda de controle dos movimentos corporais, sonolência e perda de consciência (apagões). [2]

O excesso de álcool no corpo afeta principalmente o cérebro: há uma distorção da percepção, a capacidade de discernimento é perturbada, a concentração diminui. Ao mesmo tempo, reduz a timidez. Talvez surja um agradável sentimento de despreocupação. No entanto, a ingestão de grandes quantidades pode levar a estados de delírio e até à inconsciência. Depressões e agressões ficam mais fortes. [3]

Deus condena a embriaguez, pois no Velho Testamento, Ele usou o termo como analogia ao falar sobre o castigo que infligiria aos desobedientes:

Jr 13:13 “Mas tu dize-lhes: Assim diz o SENHOR: Eis que eu encherei de embriaguez a todos os habitantes desta terra, e aos reis [da estirpe] de Davi, que estão assentados sobre o seu trono, e aos sacerdotes, e aos profetas, e a todos os habitantes de Jerusalém.”

Ez 23:33 “De embriaguez e de dor te encherás; o cálice de tua irmã Samaria [é] cálice de espanto e de assolação.”          

Is 5:11-12 “Ai dos que se levantam pela manhã, e seguem a bebedice; [e] continuam até à noite, [até que] o vinho os esquente! E harpas e alaúdes, tamboris e gaitas, e vinho há nos seus banquetes; e não olham para a obra do SENHOR, nem consideram as obras das suas mãos.”

Também quando Deus separou pessoas para O servirem no santuário, lhes proibiu o uso de bebidas:

Lv 10: 9-10 “Não bebereis vinho nem bebida forte, nem tu nem teus filhos contigo, quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais; estatuto perpétuo [será isso] entre as vossas gerações; E para fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo.”

Quando alguém fazia voto de nazireado (consagração ao Senhor) não poderia beber vinho ou qualquer outra bebida fermentada:

Nm 6:3 “De vinho e de bebida forte se apartará; vinagre de vinho, nem vinagre de bebida forte não beberá; nem beberá alguma beberagem de uvas; nem uvas frescas nem secas comerá.”

No Novo Testamento, os escritores sagrados também alertaram sobre o perigo da embriaguez, fazendo contraponto com juízo e desonestidade:

Lc 21:34 “E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia.”

Rm 13:13Andemos honestamente, como de dia; não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja.”

Mesmo que muitos evangélicos de hoje busquem amparo e motivo para o uso habitual de bebidas alcoólicas, o NT não trás instruções autoritativas sobre o assunto e, pelo contrário, nos alerta para não agirmos como os ímpios que se embriagam e andam em dissoluções nem nos associarmos às suas obras infrutuosas das trevas, antes, porém, condenando-as (Ef 5:11).

2.   Glutonaria

A palavra original – κῶμος/ komos – foi traduzido por glutonaria, orgia, farra. “Originalmente, essa palavra indicava, no grego, um cortejo festivo, em honra ao deus pagão do vinho, Dionísio. Era uma refeição e um banquete festivos; mas com frequência seus participantes perdiam o domínio próprio e tudo se transformava em ocasião de glutonaria e bebedeiras, de orgia das piores. Assim essa palavra veio a indicar glutonaria e orgia”. [4]

Tal conceito pode ser claramente compreensível em nossos dias, basta que pensemos nos encontros sociais, festas de fim de ano, casamentos, aniversários e, o pior de todos, o carnaval, onde verdadeiros festivais  gastronômicos e de embriaguez são oferecidos, muitas vezes acima das posses financeiras, para o deleite da carne. Somos bombardeados pelo mercado de alimentos e bebidas – uma indústria para os olhos, cujo objetivo é despertar a concupiscência de cada um.

O Senhor condena o comer desregradamente, em demasia, cometendo excessos, comportando-se como “glutão”:

Rm 13:13Andemos honestamente, como de dia; não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja.”

1Pe 4:3 “Porque é bastante que no tempo passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias.”

I.        LUTANDO CONTRA A PRÓPRIA VONTADE

Essas duas condutas pessoais, consideradas como obras da carne, não são pecados em si mesmas, mas sim, o comportamento de excesso e descontrole. Conforme 1 Co 6:12, todas as coisas nos são lícitas, mas nem todas elas são convenientes, adequadas e de boa fama, sendo fundamental não se  deixar dominar por nenhuma delas.

O apóstolo Paulo nos exorta a sermos imitadores de seu exemplo de conduta ao invés de copiarmos os hábitos daqueles que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição e cujo deus é o próprio ventre (Fp 3:17-19). Para estes, a comida desregrada é um deleite. O beber “socialmente” é correto e conveniente, livre de qualquer prejuízo, ao contrário, fonte de diversão e prazer. Não consideram o que a Escritura diz em Pv 23:31: “Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. No fim, picará como a cobra, e como o basilisco morderá”.

Nós que temos por esperança a vida eterna, devemos cuidar de nosso corpo como templo do Espírito Santo, glorificando a Deus (1Co 6:19-20). Comer e beber bem é um direito e um prazer (1Co 9:4), mas é mal para o homem fazer da comida e da bebida um escândalo (Rm 14:20).

CONCLUSÃO

Sobre este assunto a palavra adequada é temperança e discernimento. Seria pecado celebrar a ceia do Senhor usando vinho? Acredito que não. É possível celebrá-la com suco de uva, evitando que os jovens provem o álcool? Considero mais sábio.

Não é errado participar de uma comemoração onde haja um banquete. Podemos comer de tudo que nos agrade. Mas, seria correto comermos ao ponto de causar mal exemplo? De fazermos mal ao nosso próprio corpo? Não! Isso seria condenável. Comemos o que precisamos? O que nos faz bem? Dentro da sua condição financeira?

Busquemos ao Senhor e Sua palavra, orando por discernimento, domínio próprio e sabedoria, atentando para o que diz Pv 23:20-21:

“Não estejas entre os beberrões de vinho, nem entre os comilões de carne. Porque o beberrão e o glutão acabarão na pobreza; e a sonolência os faz vestir-se de trapos”.


[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Intoxica%C3%A7%C3%A3o_alco%C3%B3lica

[2] https://ada.com/pt/conditions/alcohol-intoxication/

[4] Champlin, Russell Normam, 1933 – O NT Interpretado: Vol. 4. São Paulo: Hagnos,2002. Pág.508.