Capítulo 1 – Parte 1
Estudo da Sociedade Feminina da Igreja Batista Regular Renascer – Manaus, AM
Capítulo 1 – Parte 2
Estudo da Sociedade Feminina da Igreja Batista Regular Renascer – Manaus, AM

As Obras da Carne – Gl 5:16-18

Capítulo 1

ANDAI NO ESPÍRITO…

TEXTO BÍBLICO 

“Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o   Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.  Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei”. (Gl 5:16-18)

ALVO

Demonstrar que o crente, apesar de renascido, ainda possui uma natureza decaída que precisa constantemente ser subjugada e vencida pela submissão a Deus e à Sua Palavra.

ESBOÇO

Introdução

  1. Reconhecendo as duas naturezas
  2. Lutando contra a Velha Natureza

Conclusão

INTRODUÇÃO

Avaliando o versículo vemos que o tempo verbal “andai” indica uma ação habitual, uma maneira  de  comportar-se e de viver.

“No Espírito” fala sobre a presença do Espírito Santo e submissão à Palavra de Deus neste andar, que fará o crente ocupar-se diariamente com as coisas de Deus.

“E jamais satisfareis…”, significa dizer que o crente espiritual encontrará forças, pelo Espírito, para vencer as tentações e não atender ou consumar as cobiças e desejos próprios da natureza decaída (concupiscência da carne).

“Andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne  é um mandamento com promessa. Deus estabelece uma ordem e sua plena obediência nos assegura vitória contra as tentações de toda sorte que habitam em nossa carne.

Ao final deste estudo será possível, avaliando as nossas vidas, verificarmos se ainda estamos satisfazendo à concupiscência da carne ou se andamos no Espírito.

I. RECONHECENDO AS DUAS NATUREZAS

O homem natural, não regenerado, anda segundo os seus próprios pensamentos. Para ele as coisas de Deus são loucura e não as compreende (1 Co 2:14). Mesmo que seja uma pessoa educada, culta, moralista, com aparência de piedade, continua tendo como principal objetivo satisfazer aos desejos e ambições pessoais. Uma vida que glorifica a si mesmo e não a Deus.

Quando Deus, em Sua infinita misericórdia vivifica o homem natural, através do ato regenerador do Espírito Santo (Tt 3:5), ele experimenta o novo nascimento, tornando-se homem espiritual. Pela fé na obra redentora de Cristo, o crente recebe uma nova filiação e uma nova natureza, e assim, torna-se participante da natureza divina (2 Pe 1:4).

Então, ocorre a conversão – uma mudança de direção. Seguíamos para a morte e agora caminhamos para a pátria celestial, a vida eterna.

E durante essa jornada devemos ocupar nossa mente e coração com as coisas espirituais, negando de maneira enfática os fortes desejos e a cobiça pelos quais anela nossa carne, a velha natureza.

Agora o crente possui duas naturezas – a Velha Natureza, carnal e terrena, recebida de seus pais, e a Nova Natureza, espiritual e divina, recebida de Cristo.

Essas duas naturezas não habitarão em harmonia. Pelo contrário, estarão em constante conflito, e o crente espiritual, no processo de santificação, deve buscar vencer a batalha contra a carne.

É importante compreendermos, mais detalhadamente, a realidade das duas naturezas que habitam no crente: Carne e Espírito. Em Gl 5:17, lemos: porque a carne milita contra o espírito, e o espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer”.

            A ideia aqui é de dois grupos antagônicos seguindo ideias próprias. Vejamos o significado original das palavras empregadas no grego:

Milita – o verbo “epithymeõ” – Significa um ardente desejo da carne contra o espírito, e enfatiza mais o lado ativo da cobiça da carne, algo que, se não for reprimido, será plenamente satisfeito. Como em Mt 5:28 “… eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela”.

Opostos – a palavra “antikeimai” – Dá idéia de adversidade. Usado no tempo presente, indica a ação contínua, isto é, oposição sempre. É o mesmo verbo utilizado em 2Ts 2:4,  “… o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus…”

Façais – o verbo “poieõ” – Indica propósito ou resultado. Querer (thelõ), desejo, uma vontade interior – Significa não transformar a idéia em um ato, ou seja, a não realização de um propósito.

            Alguns ignoram a realidade das duas naturezas, satisfazendo seus desejos carnais, justificando que Deus entende os “deslizes” do velho homem, buscando desculpas para o seu pecado. Os que são de Cristo manifestarão o Fruto do Espírito e os que estão sob senhorio da carne, continuamente praticarão as suas obras.

II. LUTANDO CONTRA A VELHA NATUREZA

A partir do momento que o crente tem consciência da guerra interior que é travada diariamente e sem cessar, ele deve reconhecer o inimigo e estabelecer as armas e a estratégia a serem utilizadas, adotando os seguintes passos:

Primeiro: reconhecer que nesta luta você é o seu próprio inimigo! A luta a ser travada é contra o ego, a própria vontade, os desejos e paixões carnais. Por isso a necessidade de estar vigilante, pois o inimigo é traoçoeiro e se manifestará constantemente contra Deus e buscando a satisfação da carne.

Segundo: você não tem em si mesmo armas, pois, a única arma capaz para o enfrentamento é a Palavra de Deus e Suas promessas (Ef 6:11-17). Muitos têm tentado a “reforma” pessoal e estarão constantemente caindo e desistindo dos propósitos e objetivos almejados.

Terceiro: definir a estratégia a ser utilizada nessa luta, que será a oração constante (Ef 6:18), a comunhão com os irmãos (At 2:42) e o serviço ao Senhor. Estar ocupada, mente e corpo, com as coisas do alto, onde Cristo vive (Cl 3:1).

É imprescindível sabermos que cada uma de nossas naturezas tem um senhor. Pois, Gl 5:18, diz: “mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei”. Analisando cada um dos termos empregados podemos compreender, claramente, a existência dos dois senhores – o Espírito e a Lei.

Guiados – o verbo “ago” significa conduzir. Aqui, porém, a forma verbal empregada é ser guiado, deixar-se conduzir. A mesma forma verbal de Lc 4:1 “Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto…”. O Espírito é um guia e o crente espiritual deve-se deixar conduzir por Ele, submeter-se.

Sob o jugo da Lei – A Lei de Deus, que é santa e perfeita (Rm 7.12, 14), exigia do povo judeu exercitar um padrão de justiça que ele era incapaz de cumprir, fazendo-o culpado, sob condenação e morte, conforme Rm 3:20 “[…] em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”.

A nação viu a Lei somente como um conjunto de ordenanças a serem cumpridas pelo esforço pessoal. E o que era para vida, lhes trouxe a morte. Pois, sob a Lei, a carne (vontade humana) passou a acreditar nos méritos próprios e julgou-se capaz de satisfazer a justiça de Deus pela (possível) obediência da Lei.

Guiado pelo Espírito (Sob a graça) – Cristo, o único que cumpriu a Lei e na cruz levou sobre Si nossos pecados. Ressuscitou para vivermos sua vida, e agora, pela graça, o crente foi libertado do domínio da Lei, reconhece que suas obras (sua velha vontade) não satisfazem à justiça de Deus. E vive guiado pelo Espírito, conforme 1 Pedro 2:24: “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça…”.

A Lei é perfeita e eterna… o Espírito é perfeito e eterno. O que Deus transformou para vivermos não mais sob a Lei, mas sim, sob Sua graça? O coração do homem.

No Livro de Romanos, capítulos de 6 a 8, o apóstolo Paulo exemplifica a luta entre as 2 naturezas do crente.

O capítulo 6 nos diz que o nosso velho homem foi sepultado com Cristo em sua morte, e ressuscitado com ele, para vivermos em novidade de vida, o pecado não mais terá domínio sobre nós (Rm 6:4;14). E essa será uma luta diária.

Conforme disse Martinho Lutero: “Pensei que o velho homem tinha morrido nas águas do batismo, mas descobri que o infeliz sabia nadar. Agora tenho que matá-lo todos os dias”.

Agora devemos apresentar os nossos membros a Deus, como instrumentos de justiça e não mais ao pecado, como anteriormente fazíamos (Rm 6:13). Os que creram em Cristo, não estão mais na carne para servir às suas paixões pecaminosas.

No capítulo 7, entramos na guerra. O capítulo descreve essa batalha – a luta interior entre as duas naturezas do crente.

A nova natureza que anela pelas coisas espirituais e deseja agradar a Deus (1Ts 4:1) contra a velha natureza com suas paixões pecaminosas (Cl 3:8-9).

Assim, com a mente temos prazer na lei de Deus, mas nossas ações muitas vezes nos contradizem e pecamos. “Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? (Rm 7:24).

Graças a Deus que, em Cristo, morremos para a lei e ressuscitamos para uma novidade de vida, onde reina a liberdade (Rm 7:6).  

No capítulo 8, somos avaliados pelo Senhor na saída do campo de batalha: um sério questionamento acerca da nossa conduta, da vida de Cristo em nossa vidas… da salvação pessoal.

Devemos responder sobre como utilizamos as armas e a estratégia diante das nossas tentações. Cada crente, se de fato é habitado pelo Espírito Santo, mortificará o velho homem e frutificará para Deus (Rm 8:9, 11). 

Agora, sempre que estivermos no calor de uma batalha, na luta contra o pecado, segundo Romanos capítulo 7, lembremos das promessas do seu capítulo 6 e tenhamos atenção aos questionamentos do capítulo 8.

Cada uma de nossas naturezas tem um senhor. Os que creram em Cristo, não estão mais na carne para servir às suas paixões pecaminosas. Se de fato é habitado pelo Espírito Santo, mortificará o velho homem e frutificará para Deus.

Para uma ilustração visual, colocamos o capítulo 7 em destaque. O pecado já foi pago por Cristo (Rm 6). Há, contudo, uma luta diária a ser travada pelo crente (Rm7). A submissão a Deus garante a vitória (Rm 8).

Pensemos em duas ilustrações:

Ilustração 1.

“Suponhamos que uma pessoa levante acusação falsa contra nós”

Dominados pela carne:

Imediatamente ficamos revoltados e nos vem a ideia de tomar satisfação, defender-nos, quem sabe até “jogar umas verdades na cara”.

Guiados pelo Espírito: 

Tentamos esclarecer, com mansidão e, se não for possível, devemos entregar nas mãos de Deus, mediante a leitura da Bíblia e oração.

Rm 12.19. “ Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: a mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o senhor”.

Ilustração 2.

“Um  irmão nos conta um segredo sobre si mesmo ou sobre outro irmão (que não seja pecado!)”

Dominados pela carne

Muitos sentiriam a tentação de comentar com aquele irmão “mais íntimo”, e outro… e mais outro…

Guiados pelo Espírito: 

Segredo confidenciado, quando contamos a outros… vira fofoca!

Pv 11.13. “O mexeriqueiro descobre o segredo, mas o fiel de espírito o encobre”

CONCLUSÃO

Quem são os que andam no Espírito? Há um claro contraste entre os que andam no Espírito – o homem espiritual, e os que satisfazem a concupiscência da carne – o homem natural.

Quem nós somos (Gl 5)?

O Homem EspiritualO Homem Natural
É submisso a Deus e a sua Palavra (v.16)Anda segundo a carne e satisfaz os desejos do seu coração (v.16)
É guiado pelo Espírito (v.18)Está sob a Lei, sem a Graça de Cristo (v.18)
Manifesta o Fruto do Espírito (v.22-23)Pratica as Obras da Carne (v. 19-21)
Crucificaram a carne e suas paixões (v.24)Não herdarão o Reino de Deus (v.21)